The Bourne Conspiracy

Postado por Info Games 6 de set de 2008


O lançamento de "Robert Ludlum's The Bourne Conspiracy" lembra bastante o dos últimos jogos baseados na grife "Missão Impossível". Embora estes tenham sido produzidos claramente no embalo dos filmes estrelados por Tom Cruise, nunca receberam o aval do astro ou dos realizadores dos longas e acabaram buscando por referências no material original - no caso a série de TV - ou em idéias totalmente novas.

"The Bourne Conspiracy" segue a mesma premissa. Não espere ver Matt Damon ou encontrar nenhuma citação oficial à recente trilogia cinematográfica. Estranhamente, apesar de levar a assinatura do escritor Robert Ludlum, o jogo não faz grandes referências aos livros que deram origem ao espião. É um game meio bastardo, por assim dizer, e até um tanto frio - já que "O Ultimato Bourne", terceiro e último filme da franquia, foi lançado no ano passado - mas que, felizmente, possui qualidades suficientes para se destacar por seus próprios méritos.

A trama de "The Bourne Conspiracy" é baseada no primeiro filme estrelado por Damon, que aqui no Brasil se chamou "A Identidade Bourne", só que com algumas passagens extras, com maior desenvolvimento que evocam levemente o romance original escrito por Ludlum em 1980.

Para quem não faz idéia de quem seja Jason Bourne, ele é um super-espião da CIA e integra de um projeto secreto clandestino chamado Treadstone, que o transformou em uma máquina de matar.

Coreografias, socos e pontapés
Durante uma missão em Marselha, na tentativa de assassinar um ditador africano chamado Wombosi em seu iate, algo dá errado e Bourne acaba sendo mortalmente ferido. Seu corpo cai no mar e, por sorte, é resgatado por um barco pesqueiro. O médico da embarcação consegue salvar o agente e recuperar informações escondidas em um implante em seu corpo - o que se torna fundamental quando se descobre que Jason perdeu a memória.

Ao contrário do longa-metragem, que começa com a busca do herói por sua identidade, o jogo tem seu início bem antes, ainda nos preparativos para a missão em Marselha. Ali há uma espécie de tutorial que mostra como Bourne é capaz de rastrear e espancar inimigos sem dó, além de escapar de situações de grave perigo sem muito esforço, como qualquer grande herói de ação deve fazer.


Ele não é Peter Parker, mas Jason Bourne tem seu próprio sentido de aranha no jogo, apelidado de "Bourne Instinct". Com um toque de botão, você ganha uma visão especial que indica o que fazer, onde estão os inimigos, em que atirar ou do que desviar se estiver dirigindo, por exemplo. Não é um sistema à prova de falhas ou inovador, mas é bastante divertido na criação de uma sensação de imersão, fazendo com que se tenha a impressão de possuir os reflexos de um super-agente.

É algo que cai muito bem com os já manjados "Quick Time events", aqueles momentos de ação que pedem que você pressione um determinado botão para realizar uma ação instintiva. Embora não tragam nada de novo ao gênero, são dispositivos que têm um posicionamento bastante esperto durante a progressão do jogo, deixando a ação fluida e envolvente, ainda que em alguns momentos se tornem frustrantes - uma vez que é muito chato ter que refazer algum trecho apenas por ter pressionado um botão no tempo errado.


Outro aspecto que segura o ritmo no alto é o combate, facilmente o ponto forte do jogo, evocando o estilo brutal dos filmes, com lutas curtas e mortais. Bourne destroça os inimigos com alguns poucos golpes, utilizando os cenários também como armas finalizadoras. E não é preciso muito: com combos de apenas dois botões, você enche uma barra de adrenalina capaz de finalizar até três oponentes de uma vez - o que se traduz em joelhos e cotovelos partidos, cabeças quebradas contra muros ou janelas, e outros momentos de ternura entre mocinhos e bandidos.

Paciência em baixa

Se tudo corre bem até aí, a mecânica começa a decepcionar quando o jogo passa a depender do esquema de tiros e perseguições. Ambos são bem pensados, com um belo design e situações bastante emocionantes, mas sofrem de irregularidades que diminuem o impacto da ação.

Se com os punhos Bourne é uma arma mortal, com uma pistola ele não é tão letal. A mira é muito escorregadia e mesmo com a opção para travar nos inimigos, você ainda perde muito tempo e muitas tentativas para acertar seu alvo. Se você estiver escondido, sob cobertura, e precisar trocar de alvos, prepare-se para perder muitas balas até matar seus oponentes da maneira como deseja.

Já dentro do carro, um MINI Cooper de sua companheira Marie, as coisas simplesmente se tornam estranhas e desbalanceadas. O automóvel não tem peso ou dirigibilidade consistente, o que torna um martírio tentar reproduzir a emocionante perseguição exibida no longa-metragem. Para tornar tudo mais estranho, o veículo não toma danos aparentes e você nunca tem a sensação de perigo que deveria, tornando este trecho do jogo superficial e bem distante emocionalmente do restante da trama.

É uma pena que trechos como a perseguição e outros pequenos defeitos técnicos, como problemas de colisão e alguns ângulos de câmera, comprometam parte da imersão. "The Bourne Conspiracy" é um jogo que transpira ação e apresenta gráficos bem cuidados, com personagens robustos, bem modelados, com texturas ricas e realistas. Os sons também contribuem bastante para a sensação de envolvimento e há uma atmosfera bastante cativante para o desenrolar dos acontecimentos, principalmente se você possui um bom equipamento de home theater. É um game que pode não contar com o pedigree dos filmes, mas que aproveita todos os recursos do motor gráfico "Unreal Engine 3" para criar uma apresentação empolgante.

Com a trama de mistério, ambientação envolvente e os combates brutais, há algumas boas horas de diversão, mesmo sendo obrigado a passar por seus trechos menos nobres. Pena que não há muito estímulo para passar por tudo novamente. São três níveis de dificuldade e alguns itens colecionáveis, sem opção para jogatina online, o que acaba minando a longevidade do título.

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